quinta-feira, 31 de maio de 2012


1°ARTIGO: SISTEMATIZAÇÃO DA PREPARAÇÃO FÍSSICA DO JUDOCA MÁRIO SABINO: UM ESTUDO DE CASO DO ANO DE 2003.
Revista Brasileira de Ciências do Esporte - ISSN: 0101-3289 - b1

O presente artigo fez um estudo do treinamento de um atleta titular da seleção brasileira de judô, Mário Sabino,  que é faixa preta. Foi elaborado um planejamento das atividades com dificuldade, devido a escassez na literatura sobre o treinamento de judô com carga. No entanto, o objetivo era criar um bom modelo de preparação física que ocasionaria um melhor desempenho do atleta que teria seu foco voltado para as competições no Pan- americano e no Campeonato Mundial. Na maior parte, os preparadores físicos do judô, realizam seu trabalho baseando-se no seu bom-senso e nas experiências pessoais. Devido a literatura não oferecer conteúdo suficiente.
Com o atleta foram realizados vários testes: corrida para avaliar a cap. Aeróbica, a recuperação da corrida para avaliar a cap. Anaeróbica. Um teste especifico da modalidade de judô, teste de força e uma avaliação funcional. A periodização foi elaborada  com base no modelo Russo de Matveev. Ele organizou da seguinte forma: um Macrociclo que foi dividido em período preparatório  e dois Mediociclos, dentro dos mediociclos  teria o período pré-competitivo e o período Competitivo. Durando um total de 64 dias de treinamento.
No período preparatório o objetivo foi de trabalhar exercícios que visassem a capacidade aeróbica e a manutenção da força máxima. Nesta etapa o volume de treinamento se sobressaiu a intensidade. Os exercícios realizados não tinham nenhuma semelhança com os gestos desportivos do judô. Corridas continuas e intervaladas eram realizadas para melhorar a potência aeróbica do atleta, visando um desempenho por parte do atleta mais ágil nas competições. Exercícios resistidos eram feitos para a manutenção da força máxima do atleta, realizados com uma progressão nas cargas.
Antes de se iniciar o Mediociclo Pré Competitivo, foram feitos retestes e constatou-se que o desempenho do atleta foi ainda melhor.
No Mediociclo Pré Competitivo, começou a inserção de gestos desportivos do judô, a intensidade se sobressaiu  sobre o volume e  o objetivo era trabalhar capacidade anaeróbica com movimentos de judô, fazendo a manutenção da capacidade aeróbica adquirida no período preparatório.
No Mediociclo Competitivo, o objetivo era com ênfase nos exercícios com gestos específicos do judô, visto que as competições se aproximavam. Mas também a manutenção do que foi adquirido nas duas etapas anteriores (cap. Aeróbica, cap. Anaeróbica, força, potência).
Dessa vez as corridas não foram realizadas, teve trabalho de força, potência, um treino especifico com a orientação do sensei(técnico ) e a realização de Randoris(lutas) com intervalos de 10-15 minutos que é o tempo de pausa entre uma luta e outra.
Os autores ainda relatam dois controles nos Mediociclos propostos:
1º No decorrer do treinamento foram usados testes laboratoriais e de acompanhamento no campo.
2º Fator Competições, que foi a inserção gradativa do atleta no ritmo da competição, possibilitando ao técnico fazer ajustes no atleta para o melhor desempenho do mesmo.
As capacidades condicionantes para o preparo físico foram: potência, força rápida, força máxima dinâmica, resistência de força e resistência aeróbica.
Os resultados obtidos foram os seguintes:
Obteve-se a comprovação da eficiência do modelo de preparação proposto, devido a obtenção da primeira colocação do judoca Mário Sabino nos jogos pan-americanos e a terceira colocação no quadro de medalhas no Campeonato Mundial, que é considerado como um dos eventos principais mais importantes e de maior exigência técnica.
Contudo, os autores concluem que mesmo com o trabalho surtindo o efeito desejado, ainda encontra-se longe do ideal a nível de desporto nacional.


 
2°ARTIGO: PREPARAÇÃO FÍSICA PARA LUTADORES DE SANSHOU: PROPOSTA BASEADA NO SISTEMA DE PERIODIZAÇÃO DE TUDOR O. BOMPA.
Movimento & Percepção, Espírito Santo de Pinhal, SP, 2006 - ISSN 1679-8678

          O artigo de Daniel Shenji Hirata e Fabrício Boscolo Del Vecchio trata da  preparação física para lutadores de Sanshou através de métodos e meios de treinamento de força baseados no sistema de periodização de Tudor O. Bompa. O estudo foi realizado através de uma revisão bibliográfica fundamentada nos procedimentos técnicos de Hopkins (1999).
          As competições possuem três formatos diferentes, sendo eles: a luta imaginária, onde não existe adversário real; a luta combinada, onde existe adversário real, todavia, a movimentação de ataque e defesa é pré-determinada; e o combate, embate direto entre dois lutadores. O combate utiliza a proporção 2:1, ou seja, dois minutos de luta para um de intervalo, tendo a duração de três rounds, podendo se estender até quatro, em caso de empate. Ocorrem interrupções em caso de queda de um ou dos dois lutadores e clinch superior a três segundos.
          A fonte de energia predominante no Sanshou, assim como na grande maioria dos esportes de combate, provém do sistema anaeróbio. No inicio da luta, dos 10 aos 20 segundos, o metabolismo anaeróbio alático (ATP/PC) é responsável pelo fornecimento de energia, passando, após, ao sistema anaeróbio lático (glicolítico), entre 2 aos 5 minutos de luta. A partir desse ponto, passa a incidir o sistema aeróbio (oxidativo). Levando em consideração que a luta pode durar até oito minutos, desconsiderando os intervalos, uma preparação no sentido aeróbio pode ser determinante no resultado da luta.
          Tradicionalmente, no Sanshou, são realizados exercícios específicos da modalidade (socos, chutes e projeções) sem carga, apenas com o peso do corpo. Porém, exercícios com peso tem sido necessários para treinamento em vários tipos de luta, com a intenção de incrementar a força na execução do gesto motor. Esse treinamento ocorre através de exercícios específicos ou gerais. Exercícios recorrem a prática da musculação, formato que enfrenta ainda certo preconceito por parte dos técnicos. Quando utilizada, geralmente é feita sem uma observação de volume e intensidade de uma periodização, o que pode prejudicar o rendimento do atleta.
          A preparação física pode ser classificada em geral ou específica. A preparação geral corresponde a exercícios sem ligação direta com a técnica da luta em si, objetivando-se o aumento das capacidades biomotoras do indivíduo, de uma forma generalizada. Já os específicos representam exercícios que se assemelham aos movimentos de competição do Sanshou e visam o desenvolvimento das capacidades fisiológicas do atleta, permitindo ao atleta a adaptação à modalidade, especificamente.
          Para a aplicação de golpes rápidos e fortes – que podem acarretar em nocaute, poupando energia para uma próxima luta – são cada vez mais frequentes treinamentos voltados para o desenvolvimento da força. O treinamento deve, preferencialmente, seguir uma periodização, dividida em macrociclos, mesociclos e microciclos, onde os primeiros correspondem a um tempo em torno de um a um ano e meio de duração, os mesociclos em torno de dois a três meses, podendo ser reduzido, e os micro de até uma semana, também podendo ser inferiores.
          O treinamento de força possui algumas fases a serem seguidas, para melhor aproveitamento. A adaptação anatômica tem como o desenvolvimento de grandes grupos musculares, sendo iniciado com exercícios de baixa intensidade, que serão aumentados gradativamente, evitando dores demasiadas e/ou lesões no atleta. A fase denominada de força máxima é composta por exercícios mais especificos da modalidade e é considerada a base para o avanço da resistência e potência musculares, não tendo intenção de causar hipertrofia, exceto em casos de adaptação de peso para manter-se ou mudar de categoria.
          A fase de conversão é quando ocorrerá a transferência da força máxima em força explosiva e/ou resistência de força. A força de explosão é fundamental para reduzir o tempo necessário para execução de um gesto especifico de competição, neste caso, de Sanshou, assim como a resistência de força objetiva manter os golpes fortes e precisos durante toda a luta.
          A fase de interrupção acontece aproximadamente de 5 a 7 dias antes da competição, com a função de reserva de energia. Já a fase de compensação se refere ao período de recuperação física e psíquica do atleta, onde ele realiza treinos leves, numa recuperação ativa, após as competições.


 

Um comentário:

  1. O conteúdo dos seminários está bem interessante...se possível coloquem algum modelo de periodização para que o publico visualize melhor...

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