Entre as várias correntes de opinião envolvendo as origens da capoeira, destaca-se a que argumenta ter sido ela criada e desenvolvida aqui no Brasil, talvez logo após as primeiras fugas dos engenhos. Nesse caso, cita-se como argumento a inexistência da capoeira na África, até pouco tempo.
A capoeira teria surgido de danças africanas, acrescentado a elas um caráter
marcial (de ataque e defesa). Isso era necessário para que os escravos
fugitivos nos quilombos, pudessem se defender e/ou atacar os
"capitães-de-mato".
Com relação ao nome
do jogo, tem-se conhecimento que escravos oriundos de quilombos (geralmente
situados em florestas), preferiam lutar, quando necessário, em local onde
condições ambientais pudessem lhes ser favoráveis; essa região escolhida
costumava ser a "capoeira", denominação dada à terra recentemente
queimada, quando começam a brotar as primeiras Poaceae (atual denominação das
gramíneas), não havendo ainda arbustos ou árvores de grande porte. Nesses
locais, os escravos se sentiam aptos para enfrentar seus perseguidores, que os
achando agachados na relva precisavam se cuidar dos açoites e chibatadas dos
então chamados "Lutadores de Capoeira", "Lutadores da
Capoeira", ou simplesmente "Capoeiras", que passou a ser também
o nome do jogo.
A história demonstra ter a capoeira
sido usada como defesa à opressão social em diversas regiões do Brasil,
principalmente no estados da Bahia e Rio de Janeiro, de onde nos chegam lendas
de capoeiras famosos. Ajudou a vencer batalhas, com golpes como rasteira,
pontapé, joelhada, rabo de arraia, cabeçada, aú, balão, boca de calça e meia
lua. "A arma de mais valor para o capoeira é um nalfe", espécie de
navalha (Coutinho, 28). "O berimbau é uma arma": a verga é um
cassete, e a baqueta usada para furar (Coutinho, 29); poderia ser usado para
sinalizar a presença de cavaleiros, ou mesmo para derrubá-los de suas
montarias, muitas vezes tendo faca ou navalha em sua extremidade.
Em maio de 1809 era
criada a Guarda Real de Polícia, dirigida pelo Major Miguel Nunes Vidigal,
temido e implacável na perseguição aos capoeiras, que desta data em diante não
teriam mais sossego.
A capoeira exerceu
influência nos acontecimentos socioculturais e políticos do Brasil, a tal ponto
que o Código Penal de 1890 deu um tratamento especial ao caso, prevendo prisão,
trabalhos forçados, e até deportação para os seus praticantes.
Naquela época, não
existindo organização didática mais concreta, os ensinamentos eram propalados
de maneira bastante intuitiva e os segredos bem mantidos, respeitando-se o
caráter profundamente tradicionalista dos velhos mestres, como os da Ladeira de
Pedra do bairro da Liberdade, onde surgiria o primeiro centro de capoeira
angola do estado da Bahia (O conjunto de capoeira de angola Conceição da Praia
foi o embrião do Centro Nacional de Capoeira de Origem Angola, localizado na
Ladeira de Pedra, onde ficava a famosa Gengibirra Mesmo diante dos maiores
desafios, se mantinham em impecável atitude ética, o que lhes valia convites
para serem guarda-costas de políticos famosos ou abre-alas de escolas de samba.
Posteriormente
surgiriam angoleiros de grande expressão, como os Mestres Bola Sete, Caiçara,
Canjiquinha, Cobrinha Verde, Curió, João Grande e João Pequeno (pró-mestres de
Pastinha), Mário Bom Cabrito, Nô, Papo Amarelo, Paulo dos Anjos, Waldemar e os
do Grupo Angola Pelourinho.
Assim era até que em 1900 nascia Manoel Joaquim dos
Reis Machado, apelidado Bimba (discípulo do africano Bentinho, e depois de
Paquete), que aprendeu e ensinou a capoeira Angola durante quatorze anos.
Depois de muitos estudos, certificando-se da existência de pontos falhos
naquela modalidade, desenvolveu outra, a qual chamamos capoeira Regional, via
de regra, mais objetiva e letal.
Mestre Bimba abriu, em 1932, a primeira academia de
capoeira organizada, com alunos de grande projeção social e até autoridades do
governo, contribuindo assim para a ascensão sociocultural do esporte.
A capoeira viria a ser sistematizada como forma de luta e instituída como desporto em 1973.
A capoeira viria a ser sistematizada como forma de luta e instituída como desporto em 1973.
Em 1974, em Goiânia (GO), o mestre Bimba faleceu.
Em 1981 a nobre arte perderia Vicente Ferreira Pastinha, e em 2002, José
Gabriel Goes, mestre Gato Preto e Dourado, de Santo Amaro da Purificação (BA).
Abaixo está um documentário muito interessante que conta a história de Mestre Bimba que a professora passou em aula.


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