sábado, 1 de setembro de 2012

História da Capoeira

       

   Entre as várias correntes de opinião envolvendo as origens da capoeira, destaca-se a que argumenta ter sido ela criada e desenvolvida aqui no Brasil, talvez logo após as primeiras fugas dos engenhos. Nesse caso, cita-se como argumento a inexistência da capoeira na África, até pouco tempo.
A capoeira teria surgido de danças africanas, acrescentado a elas um caráter marcial (de ataque e defesa). Isso era necessário para que os escravos fugitivos nos quilombos, pudessem se defender e/ou atacar os "capitães-de-mato".
Com relação ao nome do jogo, tem-se conhecimento que escravos oriundos de quilombos (geralmente situados em florestas), preferiam lutar, quando necessário, em local onde condições ambientais pudessem lhes ser favoráveis; essa região escolhida costumava ser a "capoeira", denominação dada à terra recentemente queimada, quando começam a brotar as primeiras Poaceae (atual denominação das gramíneas), não havendo ainda arbustos ou árvores de grande porte. Nesses locais, os escravos se sentiam aptos para enfrentar seus perseguidores, que os achando agachados na relva precisavam se cuidar dos açoites e chibatadas dos então chamados "Lutadores de Capoeira", "Lutadores da Capoeira", ou simplesmente "Capoeiras", que passou a ser também o nome do jogo.
A história demonstra ter a capoeira sido usada como defesa à opressão social em diversas regiões do Brasil, principalmente no estados da Bahia e Rio de Janeiro, de onde nos chegam lendas de capoeiras famosos. Ajudou a vencer batalhas, com golpes como rasteira, pontapé, joelhada, rabo de arraia, cabeçada, aú, balão, boca de calça e meia lua. "A arma de mais valor para o capoeira é um nalfe", espécie de navalha (Coutinho, 28). "O berimbau é uma arma": a verga é um cassete, e a baqueta usada para furar (Coutinho, 29); poderia ser usado para sinalizar a presença de cavaleiros, ou mesmo para derrubá-los de suas montarias, muitas vezes tendo faca ou navalha em sua extremidade.
Em maio de 1809 era criada a Guarda Real de Polícia, dirigida pelo Major Miguel Nunes Vidigal, temido e implacável na perseguição aos capoeiras, que desta data em diante não teriam mais sossego.
A capoeira exerceu influência nos acontecimentos socioculturais e políticos do Brasil, a tal ponto que o Código Penal de 1890 deu um tratamento especial ao caso, prevendo prisão, trabalhos forçados, e até deportação para os seus praticantes.
Naquela época, não existindo organização didática mais concreta, os ensinamentos eram propalados de maneira bastante intuitiva e os segredos bem mantidos, respeitando-se o caráter profundamente tradicionalista dos velhos mestres, como os da Ladeira de Pedra do bairro da Liberdade, onde surgiria o primeiro centro de capoeira angola do estado da Bahia (O conjunto de capoeira de angola Conceição da Praia foi o embrião do Centro Nacional de Capoeira de Origem Angola, localizado na Ladeira de Pedra, onde ficava a famosa Gengibirra Mesmo diante dos maiores desafios, se mantinham em impecável atitude ética, o que lhes valia convites para serem guarda-costas de políticos famosos ou abre-alas de escolas de samba.
Posteriormente surgiriam angoleiros de grande expressão, como os Mestres Bola Sete, Caiçara, Canjiquinha, Cobrinha Verde, Curió, João Grande e João Pequeno (pró-mestres de Pastinha), Mário Bom Cabrito, Nô, Papo Amarelo, Paulo dos Anjos, Waldemar e os do Grupo Angola Pelourinho.
Assim era até que em 1900 nascia Manoel Joaquim dos Reis Machado, apelidado Bimba (discípulo do africano Bentinho, e depois de Paquete), que aprendeu e ensinou a capoeira Angola durante quatorze anos. Depois de muitos estudos, certificando-se da existência de pontos falhos naquela modalidade, desenvolveu outra, a qual chamamos capoeira Regional, via de regra, mais objetiva e letal.
Mestre Bimba abriu, em 1932, a primeira academia de capoeira organizada, com alunos de grande projeção social e até autoridades do governo, contribuindo assim para a ascensão sociocultural do esporte.
A capoeira viria a ser sistematizada como forma de luta e instituída como desporto em 1973.
Em 1974, em Goiânia (GO), o mestre Bimba faleceu. Em 1981 a nobre arte perderia Vicente Ferreira Pastinha, e em 2002, José Gabriel Goes, mestre Gato Preto e Dourado, de Santo Amaro da Purificação (BA).



Abaixo está um documentário muito interessante que conta a história de Mestre Bimba que a professora passou em aula.


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